COHAB e CEMIG vão instalar aquecedor solar em 7.500 casas este ano

 

As casas construídas pela COHAB no âmbito do Programa Lares-Habitação Popular (PLHP) são destinadas a pessoas que têm renda mensal entre um e três salários mínimos. Normalmente, as famílias beneficiadas são formadas por um casal com um, dois ou três filhos. Porém, muitas vezes, outros parentes também moram juntos na mesma casa-padrão adotada pela Companhia, o que faz aumentar as despesas com consumo de energia, principalmente no chuveiro elétrico.

Preocupada com a situação econômica das famílias atendidas em geral pelo PLHP e, particularmente, as mais numerosas, a COHAB e a CEMIG, com o apoio do Grupo de Estudos em Energia da Pontifícia Universidade Católica de Minas (GREEN), têm dado passos cada vez mais largos para a redução do gasto doméstico com energia elétrica, por meio da implantação de aquecedores solares nas casas populares. E após experiências anteriores bem sucedidas, esse avanço foi estendido ao Lares Geraes e se tornou parte integrante do próprio programa habitacional do Governo de Minas.   

As experiências iniciais de adoção de energia solar em conjuntos habitacionais ocorreram a partir do final dos anos 90. As primeiras famílias de mutuários da COHAB a receberem o equipamento foram os donos das 107 casas do Conjunto Habitacional Maria Eugênia e das 116 casas dos CHs Soter Inácio Ramos, AR II e AR III, todos em Governador Valadares. Outro projeto importante foi levado a efeito pelo GREEN no ano de 2000, ao instalar 100 aquecedores no CH Sapucaias, município de Contagem, mediante convênio com a PROCEL e a Eletrobrás.

Em dezembro de 2002, a COHAB e a CEMIG assinaram um convênio mais amplo, e o resultado não poderia ser outro. Três anos depois, o Conjunto Habitacional Bairro Esplanada, em Candeias, foi o primeiro empreendimento do PLHP a receber o aquecedor solar nas suas 88 unidades. E ao longo do ano de 2007, outros 962 equipamentos foram instalados em outros conjuntos habitacionais de diferentes municípios.

A partir desses casos bem sucedidos, a COHAB decidiu implantar aquecedores em todas as casas construídas na segunda etapa do PLHP. Isto culminou na assinatura de novo convênio, em 4 de dezembro de 2008, entre a Companhia e a CEMIG para a instalação do mínimo de cinco mil aquecedores por ano nas casas construídas para o Lares Geraes – Habitação Popular. O convênio foi firmado em cerimônia presidida pelo governador Aécio Neves, que, na ocasião, assegurou a continuidade da injeção de recursos da ordem de R4 10 milhões por ano no projeto de aquecimento termossolar nas habitações construídas pela COHAB para o Governo de Minas.

A meta para o ano de 2009 é de 7.500 aquecedores que serão distribuídos em dois grupos: 2.917 casas construídas antes da adaptação do padrão habitacional para receber o aquecedor e 4583 casas com a adaptação já adotada no projeto arquitetônico. Segundo o diretor da DDC, José Antônio Cintra, os equipamentos começarão a ser instalados no mês de março, cabendo a CEMIG o processo de licitação para aquisição e instalação do equipamento, bem como adaptação das casas que ainda não têm suporte para as placas e o reservatório térmico. A Cohab Minas indicará as unidades residenciais que receberão o aquecedor, respeitada a área de concessão da CEMIG Distribuidora. Ela vai também vistoriar antecipadamente tais casas, para verificar se foram atendidos os requisitos técnicos para a instalação do sistema.


Economia

Entre 30% e 40% de redução do consumo de energia elétrica. Este é o percentual aproximado da economia que a instalação do aquecedor solar proporciona a uma família de quatro pessoas, dois adultos e duas crianças, moradora de um conjunto habitacional do PLHP. Em dinheiro, a economia mensal pode chegar até a R$ 80, e a família beneficiada pode usar esta economia em outras despesas domésticas, melhorando a sua qualidade de vida na alimentação, compra de material escolar, vestuário, no pagamento da prestação da casa e até na aquisição de aparelhos eletroeletrônicos.

Por essa razão, o presidente da COHAB, Teodoro Alves Lamounier, classifica o projeto do aquecimento solar como “instrumento de redistribuição de renda”. Os testemunhos de mutuários beneficiados confirmam isto. A moradora de Dores de Campos, Fernanda Aparecida da Silva Lourenço, por exemplo, consumiu em outubro de 2007 136 kw/h e pagou uma conta no valor de R$ 101,82. Após a instalação do aquecedor solar, a sua conta chegou a R$ 23,98 por um consumo de 45 kw/h. A moradora garante que o aquecedor solar favoreceu muito a vida dela e do marido Eduardo José Lourenço.

Outra beneficiada foi Maria Aparecida de Assis, moradora do Conjunto Habitacional São Francisco em Itatiaiuçu. “Estou adorando. A luz abaixou bastante. Agora eu tomo meu banho mais a vontade, antes eu não podia fazer isso”, disse. Ela também conta que toma 12 remédios por dia e usa o dinheiro que economiza com a conta de energia elétrica para pagar a farmácia.

Reconhecimento

A adoção pela COHAB da instalação de aquecedores como parte do PLHP rendeu em 2008 a conquista do Selo do Mérito 2007, concedido pela Associação Brasileira de Cohabs e Órgão Assemelhados (ABC). O prêmio é entregue as principais iniciativas em Habitação de Interesse Social no país e foi recebido pelo presidente da Companhia, Teodoro Alves Lamounier, das mãos do Ministro de Estado das Cidades Márcio Fortes e do presidente da ABC, Álvaro Lourenço. Além da importância para a saúde econômica do mutuário, o programa representa um avanço do acesso a inovações tecnológicas por parte dos mutuários da COHAB.

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